Os tempos que se avizinham aconselham sangue frio, bom senso e humor q.b. Refiro-me objectivamente à proximidade de vários actos eleitorais e a todo o “circo” que se costuma montar à volta destes acontecimentos. Digo que é preciso sangue frio porque como diz o povo “o pior são as respostas” e, passada esta fase todos vamos perceber que não há necessidade de grandes celeumas. Por tudo isso há que ter bom senso. A vida não se esgota nas divergências e provavelmente as coisas que fazem as pessoas divergir são infinitamente menos do que as aproxima. Recomenda-se igualmente, um pouco de humor. A vida só tem sentido se tiver várias tonalidades, fazer dela uma sina a preto e branco é apenas próprio dos mais pessimistas. E da mesma forma que o sal é importante na açorda e nas sardinhas, o humor é um ingrediente para usar q.b. nas diversas “esquinas da vida”.
Esta pequena introdução serve apenas para confessar a minha pouca abertura para as tricas mais comezinhas e para dizer que dispenso as polémicas que por vezes surgem quando qualquer problema de menor importância assume rapidamente as dimensões de catástrofe ou de espectro aterrador. Pelo contrário registo e analiso sob o ponto de vista sociológico, os indivíduos que estão ou se sentem “preparados” para discutir qualquer assunto. No meu bloco de notas registei, com humor, algumas das discussões a que tenho assistido por aí.
Primeiro: No fim de semana de 11 e 12 de Julho multiplicaram-se as sofisticadas reflexões acerca das vantagens e dos inconvenientes do trânsito e estacionamento interrompido no Rossio Marquês de Pombal. Achava eu e continuo a achar que o extraordinário evento Ciência na Rua que em boa hora a Isabel e o Rui (perdoem-me a informalidade) do Centro de Ciência Viva, pensaram e levaram a cabo, seria um bom motivo para deixar o automóvel em casa. Qual quê? Em vez de fruírem o momento único, ouvi alguns “magníficos opinadores” discorrer negativamente sobre a impossibilidade de deixar o carro por ali à mão de semear. O nó da questão era saber se continuava a ser possível estacionar o carro “dentro do Águias d’Ouro”. Á parte desta contenda fútil e sem consequências práticas, o espectáculo teve a capacidade de agitar o condomínio fechado em que parecer ter-se transformado uma certa facção da critica local. Fazer ciência para mim já é uma coisa complicada, mas “trazê-la” para a rua, numa perspectiva lúdica, cultural e afectiva é uma aventura magnifica que a equipa do “Ciência Viva” levou por diante. Cultura? Ciência? O que é que eu ouvi? Que se lixe a ciência eu quero é estacionar no Rossio….!
Perante estes factos só podemos sorrir e “tomar”uma grande dose de humor.
Segundo: O desfecho das eleições autárquicas. Sobre este tema os meus ouvidos têm sido alimentados de forma verdadeiramente deliciosa. Entre os opinadores há de tudo: Os que garantem a pés juntos a vitória deste ou daquele candidato; os que juram ter ouvido o que não foi dito; os que já sabem quem fica em primeiro, em segundo e até já é do seu conhecimento o nome, a data de nascimento e o número de identificação dos eleitos. Extraordinário, portanto. Mas como sabem eles tanta coisa? -belisco-me eu no meio da minha santa ignorância! Não percebem “eles” que o povo é que manda?
Terceiro: A confusão entre o Passado e o Futuro. A crise financeira que se instalou a nível mundial espatifou tudo. A “folga” que havia para experiências acabou. Na minha opinião não há tempo para aventuras, para novos protagonistas nem espaço para recomeçar do zero. Com alguma irresponsabilidade oiço falar de pífias hipóteses de regresso ao passado e dou comigo a pensar. Quem quiser voltar ao arcaico, vai ter que passar grande parte do tempo a colar cacos, recolocar a máquina nos carris, refazer os projectos e apagar “alguns fogos”. Há um problema ou, se quisermos dois problemas que ficam por resolver. Quantos Estremocenses estão dispostos a esperar por mais um adiamento? E já agora o que fazer a tantos projectos que entretanto vão ter o seu desenvolvimento no próximo ano? Atiramo-los fora?
Esta pequena introdução serve apenas para confessar a minha pouca abertura para as tricas mais comezinhas e para dizer que dispenso as polémicas que por vezes surgem quando qualquer problema de menor importância assume rapidamente as dimensões de catástrofe ou de espectro aterrador. Pelo contrário registo e analiso sob o ponto de vista sociológico, os indivíduos que estão ou se sentem “preparados” para discutir qualquer assunto. No meu bloco de notas registei, com humor, algumas das discussões a que tenho assistido por aí.
Primeiro: No fim de semana de 11 e 12 de Julho multiplicaram-se as sofisticadas reflexões acerca das vantagens e dos inconvenientes do trânsito e estacionamento interrompido no Rossio Marquês de Pombal. Achava eu e continuo a achar que o extraordinário evento Ciência na Rua que em boa hora a Isabel e o Rui (perdoem-me a informalidade) do Centro de Ciência Viva, pensaram e levaram a cabo, seria um bom motivo para deixar o automóvel em casa. Qual quê? Em vez de fruírem o momento único, ouvi alguns “magníficos opinadores” discorrer negativamente sobre a impossibilidade de deixar o carro por ali à mão de semear. O nó da questão era saber se continuava a ser possível estacionar o carro “dentro do Águias d’Ouro”. Á parte desta contenda fútil e sem consequências práticas, o espectáculo teve a capacidade de agitar o condomínio fechado em que parecer ter-se transformado uma certa facção da critica local. Fazer ciência para mim já é uma coisa complicada, mas “trazê-la” para a rua, numa perspectiva lúdica, cultural e afectiva é uma aventura magnifica que a equipa do “Ciência Viva” levou por diante. Cultura? Ciência? O que é que eu ouvi? Que se lixe a ciência eu quero é estacionar no Rossio….!
Perante estes factos só podemos sorrir e “tomar”uma grande dose de humor.
Segundo: O desfecho das eleições autárquicas. Sobre este tema os meus ouvidos têm sido alimentados de forma verdadeiramente deliciosa. Entre os opinadores há de tudo: Os que garantem a pés juntos a vitória deste ou daquele candidato; os que juram ter ouvido o que não foi dito; os que já sabem quem fica em primeiro, em segundo e até já é do seu conhecimento o nome, a data de nascimento e o número de identificação dos eleitos. Extraordinário, portanto. Mas como sabem eles tanta coisa? -belisco-me eu no meio da minha santa ignorância! Não percebem “eles” que o povo é que manda?
Terceiro: A confusão entre o Passado e o Futuro. A crise financeira que se instalou a nível mundial espatifou tudo. A “folga” que havia para experiências acabou. Na minha opinião não há tempo para aventuras, para novos protagonistas nem espaço para recomeçar do zero. Com alguma irresponsabilidade oiço falar de pífias hipóteses de regresso ao passado e dou comigo a pensar. Quem quiser voltar ao arcaico, vai ter que passar grande parte do tempo a colar cacos, recolocar a máquina nos carris, refazer os projectos e apagar “alguns fogos”. Há um problema ou, se quisermos dois problemas que ficam por resolver. Quantos Estremocenses estão dispostos a esperar por mais um adiamento? E já agora o que fazer a tantos projectos que entretanto vão ter o seu desenvolvimento no próximo ano? Atiramo-los fora?
in Jornal ECOS de Estremoz, 16julho2009
