Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

NÃO HÁ TEMPO PARA AVENTURAS

Os tempos que se avizinham aconselham sangue frio, bom senso e humor q.b. Refiro-me objectivamente à proximidade de vários actos eleitorais e a todo o “circo” que se costuma montar à volta destes acontecimentos. Digo que é preciso sangue frio porque como diz o povo “o pior são as respostas” e, passada esta fase todos vamos perceber que não há necessidade de grandes celeumas. Por tudo isso há que ter bom senso. A vida não se esgota nas divergências e provavelmente as coisas que fazem as pessoas divergir são infinitamente menos do que as aproxima. Recomenda-se igualmente, um pouco de humor. A vida só tem sentido se tiver várias tonalidades, fazer dela uma sina a preto e branco é apenas próprio dos mais pessimistas. E da mesma forma que o sal é importante na açorda e nas sardinhas, o humor é um ingrediente para usar q.b. nas diversas “esquinas da vida”.
Esta pequena introdução serve apenas para confessar a minha pouca abertura para as tricas mais comezinhas e para dizer que dispenso as polémicas que por vezes surgem quando qualquer problema de menor importância assume rapidamente as dimensões de catástrofe ou de espectro aterrador. Pelo contrário registo e analiso sob o ponto de vista sociológico, os indivíduos que estão ou se sentem “preparados” para discutir qualquer assunto. No meu bloco de notas registei, com humor, algumas das discussões a que tenho assistido por aí.

Primeiro: No fim de semana de 11 e 12 de Julho multiplicaram-se as sofisticadas reflexões acerca das vantagens e dos inconvenientes do trânsito e estacionamento interrompido no Rossio Marquês de Pombal. Achava eu e continuo a achar que o extraordinário evento Ciência na Rua que em boa hora a Isabel e o Rui (perdoem-me a informalidade) do Centro de Ciência Viva, pensaram e levaram a cabo, seria um bom motivo para deixar o automóvel em casa. Qual quê? Em vez de fruírem o momento único, ouvi alguns “magníficos opinadores” discorrer negativamente sobre a impossibilidade de deixar o carro por ali à mão de semear. O nó da questão era saber se continuava a ser possível estacionar o carro “dentro do Águias d’Ouro”. Á parte desta contenda fútil e sem consequências práticas, o espectáculo teve a capacidade de agitar o condomínio fechado em que parecer ter-se transformado uma certa facção da critica local. Fazer ciência para mim já é uma coisa complicada, mas “trazê-la” para a rua, numa perspectiva lúdica, cultural e afectiva é uma aventura magnifica que a equipa do “Ciência Viva” levou por diante. Cultura? Ciência? O que é que eu ouvi? Que se lixe a ciência eu quero é estacionar no Rossio….!
Perante estes factos só podemos sorrir e “tomar”uma grande dose de humor.

Segundo: O desfecho das eleições autárquicas. Sobre este tema os meus ouvidos têm sido alimentados de forma verdadeiramente deliciosa. Entre os opinadores há de tudo: Os que garantem a pés juntos a vitória deste ou daquele candidato; os que juram ter ouvido o que não foi dito; os que já sabem quem fica em primeiro, em segundo e até já é do seu conhecimento o nome, a data de nascimento e o número de identificação dos eleitos. Extraordinário, portanto. Mas como sabem eles tanta coisa? -belisco-me eu no meio da minha santa ignorância! Não percebem “eles” que o povo é que manda?

Terceiro: A confusão entre o Passado e o Futuro. A crise financeira que se instalou a nível mundial espatifou tudo. A “folga” que havia para experiências acabou. Na minha opinião não há tempo para aventuras, para novos protagonistas nem espaço para recomeçar do zero. Com alguma irresponsabilidade oiço falar de pífias hipóteses de regresso ao passado e dou comigo a pensar. Quem quiser voltar ao arcaico, vai ter que passar grande parte do tempo a colar cacos, recolocar a máquina nos carris, refazer os projectos e apagar “alguns fogos”. Há um problema ou, se quisermos dois problemas que ficam por resolver. Quantos Estremocenses estão dispostos a esperar por mais um adiamento? E já agora o que fazer a tantos projectos que entretanto vão ter o seu desenvolvimento no próximo ano? Atiramo-los fora?
in Jornal ECOS de Estremoz, 16julho2009

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

O QUE SE FAZ LÁ FORA

Definitivamente a Grafologia está na ordem do dia enquanto ciência do conhecimento humano. Quando se está no estrangeiro e se tem oportunidade de ver o que se faz lá fora percebemos o atraso do nosso país em termos grafológicos. É preocupante que a grafologia ainda não seja reconhecida como profissão como o fazem por exemplo os espanhóis ou os italianos. É igualmente preocupante que em Portugal ainda nada exista em termos académicos sobre um tema tão actual.
Deixo-vos agora algumas curiosidades dos círculos académicos grafológicos da Europa.
A letra P da assinatura do Pelé parece uma bola de futebol
Demétrio, no II séc. a.C., na Grécia, já dizia que a escrita refletia a alma do indivíduo
Deve-se ao abade francês J.H. Michon o termo Grafologia
Uma letra bem feitinha e padronizada pode não ser um sinal positivo
A escrita de J. S. Bach apresenta ritmo e movimento semelhantes aos de uma pauta musical
Os primeiros sintomas da doença de Alzheimer aparecem primeiro na escrita
Uma depressão pós-traumática pode ser revelada através da assinatura
Só no século XIX é que as penas de metal substituíram as penas de ave para escrever
Carlos Magno não sabia escrever e assinava com uma cruz os documentos oficiais
A caneta deixa na folha um sulco com profundidade e relevo
À semelhança dum arado que lavra a terra, os gregos escreviam numa linha da direita para a esquerda e na linha seguinte da esquerda para a direita
A patente do instrumento de escrever (esferográfica), que revolucionou o mundo, foi concedida ao húngaro Ladislau Biro, em 1935

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

DEPOIS DA TEMPESTADE....

Na minha opinião a bátega de água que se abateu sobre a cidade de Estremoz no passado dia 28 de Junho, serviu para demonstrar a força da mãe natureza e naturalmente para confirmar a impotência do engenho humano perante a violência das catástrofes naturais. Compreendo muito bem a angústia das populações na hora de destruição dos seus bens, da mesma forma que entendo a impotência das autoridades competentes, que por mais meios que possuam, sentem-se sempre impreparadas para responder à “revolta da natureza”. Actualmente com o avanço da ciência e de alguma tecnologia de ponta, já é possível prever a ocorrência de algumas catástrofes, mas a sua dimensão e principalmente as suas consequências continuam a ser uma incógnita. Outra das questões que se coloca quando ocorrem estes fenómenos tem a ver com a forma como se pensa e se planeia o crescimento e a expansão das cidades. A falta de respeito pelos planos de urbanização, alguma especulação imobiliária, muita resistência ao planeamento e obviamente alguma construção desenfreada são alguns dos factores que podem concorrer para aumentar substancialmente os prejuízos das populações e dos seus bens.
Voltando à chuvada do dia 28 de Junho. É óbvio que nos devemos concentrar no essencial. E o essencial é que houve pessoas que tiveram prejuízos com as quais é preciso ser solidário. Nestas coisas o primeiro impulso é tentar encontrar culpados. É o espírito dos portugueses e por isso não me espanta que alguns, só “se lembrem de Santa Bárbara, quando ouvem os trovões”. Também não me surpreendo que haja sempre alguém tentado a fazer o aproveitamento político destas situações porque a dois meses das eleições, há sempre quem tente colar ao actual executivo o que ocorre de mau, da mesma forma que tentará minimizar os eventuais êxitos. Nos momentos de crise convém ser sereno. Desta vez ocorreu um problema junto ao Monte Pistola, mas no dia em que acontecer algo de semelhante nalgum dos bairros recentes de Estremoz, como por exemplo em Mendeiros, Casais de Santa Maria ou Salsinha, a quem irão apontar o dedo?
Para relativizar as consequências, tomemos como exemplo a cidade de Pompeia e a catástrofe de que foi alvo na erupção do vulcão mais conhecido do Mundo: O Vesúvio. No ano 79 d.C. não foi uma mera enxurrada, foi a vida de todos os dias que parou de repente. As pessoas morreram à porta de casa, as moedas permaneceram imóveis sobre a mesa das tabernas, os escravos ficaram presos por grilhões, os rolos de papiro nas mãos dos nobres nas bibliotecas e até o ambiente dos prostíbulos permaneceu eroticamente “natural”. O destino foi a condenação total, enquanto a esperança de fuga se afogava nas enxurradas de lava incandescente do Vesúvio. Em Estremoz, felizmente para todos nós a esperança, a vida e o destino permanece bem vivo. Para bem de todos nós podemos continuar a acreditar na bonança.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

30 de JUNHO - UM DIA MUITO ESPECIAL

Num dia tão especial é justo que partilhe alguns sons de que gosto francamente. Começo com yesterday uma obra d'arte intemporal, depois para aqueles que ainda gostam de ouvir "um hino" e finalmente para os amantes da verdadeira pop uma recordação de todo o tempo. Para quem ainda se lembrar e tiver paciência de ouvir um "jurássico"....

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

CIDADE DE EXCELÊNCIA

Estremoz foi considerada "Cidade de Excelência" ao ganhar o prémio "Projecto Urbano - Reabilitação", hoje entregue nas mãos do Presidente da Câmara, Dr. José Alberto Fateixa, na Fundação Serralves, no Porto. O Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade e o Jornal Planeamento e Cidades atribuíram o prémio ao projecto "Concepção do Espaço Público do Rossio Marquês de Pombal e Largos Adjacentes na Cidade de Estremoz", da autoria do arquitecto Adalberto Dias. De acordo com a autarquia, a sustentabilidade urbana está na génese do projecto, privilegiando uma mobilidade menos dependente do automóvel, uma estrutura estendida a toda a cidade e o aproveitamento dos recursos hídricos e energéticos, assim como um plano de acompanhamento ambiental da obra. O presidente do município, José Alberto Fateixa, disse que a autarquia pretende renovar a imagem do centro histórico da cidade, através de uma intervenção a longo prazo, com soluções de "modernidade e inovação". O autarca explicou que foi lançado um concurso de ideias para concepção do espaço público do Rossio Marquês de Pombal, uma das principais praças do país, e largos adjacentes. O concurso surgiu no âmbito da intenção do município de apresentar uma candidatura ao programa Polis XXI, relativo à política de cidades, para a requalificação do centro histórico da localidade e criar uma dinâmica de desenvolvimento até 2015, adiantou o autarca. José Alberto Fateixa referiu ainda que a candidatura da autarquia prevê obter financiamento, através dos fundos da União Europeia, para a requalificação da zona histórica da cidade. O projecto vencedor do concurso de ideias está a ser desenvolvido e após a sua conclusão vai ser apresentado novamente ao executivo municipal. José Alberto Fateixa adiantou que a primeira intervenção deve decorrer ainda este ano, no Rossio Marquês de Pombal, frente ao Centro Ciência Viva de Estremoz.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

O REGRESSO DA POLITICA NEGRA

A denúncia veio na primeira pessoa. A secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, em plena cerimónia evocativa dos vinte e cinco anos do Centro Social e Paroquial de Santo André – Estremoz, manifestou a sua indignação pelo cobarde telefonema que “alguém” terá feito para aquela instituição, “informando” que “afinal a senhora secretária de Estado não estaria presente na cerimónia”. Obviamente tratou-se duma tentativa (frustrada) de condicionamento da cerimónia e duma manobra torpe para lançar uma “nuvem” sobre a vinda da conhecida governante ao concelho de Estremoz. Felizmente a tramóia foi desmontada a tempo. Ditosamente a cerimónia decorreu com elevado êxito, mas convenhamos que poderia ter acontecido um contratempo.
Dias depois, durante a realização da Juvemoz 2009 circulou entre a comunidade juvenil de Estremoz uma mensagem de telemóvel, cuja origem se desconhece, dando conta do adiamento do espectáculo do grupo musical “Buraka Som Sistema”. Tratando-se duma mentira grosseira, todos percebem que o objectivo desta trama foi exactamente o mesmo da anterior: Lançar a dúvida entre a organização, reduzir o êxito do evento e criar a ideia de caos e desorganização.
Para culminar uma semana negra, na madrugada de domingo dia 21, um dos stands utilizados pela conferência de imprensa do PS para apresentação dos candidatos às eleições autárquicas de 2009, foi vandalizado e uma viatura foi arrombada.Estes três episódios, embora aparentemente desligados, marcam na minha opinião, o regresso duma certa forma de estar que pretende alcançar objectivos pouco claros. Por um lado tenta descredibilizar a politica e os governantes; por outro, pretende atacar cobardemente pessoas e diversas instituições e finalmente, cogita o lançamento do caos e da confusão.
Pessoalmente não creio que existam motivos suficientemente fortes para procedimentos tão indecorosos. Atingir fins, sem olhar aos meios não é o hábito das gentes de Estremoz. Não quero acreditar, mas a julgar por estes três episódios, estamos a assistir ao regresso da politica negra, da falta de ética e do "vale tudo".
in Jornal Brados do Alentejo - 25 de Junho 2009

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

O BEM NÃO FAZ RUÍDO E O RUIDO NÃO FAZ BEM

1. No meu bloco de notas revejo uma curiosa anotação que me deixa surpreendido. Escrevi a palavra “Eleições” e dou comigo a pensar que razão me terá levado a anotar uma referência a um acto que me parece óbvio: A obrigação de votar no dia 7 de Junho. Evidentemente não me esqueci de exercer o meu direito de voto, mas com o passar dos dias, pude comprovar que alguns dos meus amigos e várias outras pessoas conhecidas, se esqueceram ou conscientemente não votaram nas Eleições Europeias de 2009. Nada mais revelador. As eleições europeias ainda não interessam totalmente à população. Os eleitores pensam noutras coisas e supõem que o seu voto não tem influência nas decisões políticas europeias. Eu acho que nas eleições europeias as pessoas aproveitam para fazer “voto de protesto” ou mesmo para “dar recados” aos políticos. Acredito, aliás que o acto de não votar já é uma forma de protesto e por incrível que pareça em Portugal em cada dez pessoas, mais de metade optou por não votar. Como facilmente se compreende não vou extrair quaisquer conclusões precipitadas sobre os números, tão pouco pretendo comentar politicamente os resultados eleitorais. Como se sabe, no Concelho de Estremoz a maioria dos votantes continuou a confiar o seu voto ao PS, enquanto que a nível nacional a preferência foi para o PSD, mas o que sobra de tudo isto é a elevadíssima abstenção registada, o que põe a nu a permanente crise de legitimidade e de representatividade das instituições europeias. Decididamente para o povo português a cidadania europeia ainda tem uma noção muito vaga e incerta.
2. A vida não está fácil. Esta é uma expressão comum. Alguns até acrescentam, a vida não está fácil e não há lugar para experiências. Quando me vêm com esta conversa recordo-me logo dum pensador muito conhecido que é o autor da teoria da troca. Para que todos entendam recorro a um exemplo sobre a teoria da troca, que diz mais ou menos seguinte: Um individuo pode ter uns sapatos muitos velhos e rotos, mas dificilmente os troca para andar descalço. Isto é, podemos ter algo que não gostamos, que não queremos ou simplesmente não apoiamos mas dificilmente a trocamos por alguma coisa que não conhecemos ou que supomos ser pior. De facto a vida não está fácil, mas ninguém de bom senso, a troca por outra ainda pior.
3. O sociólogo António Barreto afirma e eu concordo que “… mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. Exemplo dos seus maiores e dos seus melhores. O exemplo dos seus heróis, mas também dos seus dirigentes. Dos afortunados, cujas responsabilidades deveriam ultrapassar os limites da sua fortuna. Dos sabedores, cuja primeira preocupação deveria ser a de divulgar o seu saber.” É preciso, pois dar o exemplo. É esta a receita para falar verdade. Dê-se o exemplo nos cargos institucionais e as suspeitas desaparecerão. Dê-se o exemplo nas escolas e o insucesso escolar cairá. Dê-se o exemplo nas empresas e o desemprego baixará. Dê-se o exemplo nas famílias e a chaga social diminuirá. Dê-se o exemplo no trabalho, no grupo de amigos e nas instituições e a solidariedade será uma certeza. Dê-se o exemplo nas práticas diárias e a hipocrisia desaparecerá. Ainda voltando ao António Barreto “não vale a pena, para usar uma frase feita, dar “sinais de esperança” ou “mensagens de confiança”. Quem assim age, tem apenas a fórmula e a retórica. Dê-se o exemplo de um poder firme, mas flexível, e a democracia melhorará. Dê-se o exemplo de honestidade e verdade, e a corrupção diminuirá. Dê-se o exemplo de tratamento humano e justo e a crispação reduzir-se-á. Dê-se o exemplo de trabalho, de poupança e de investimento e a economia sentirá os seus efeitos.”
4. Fazer o Bem não faz ruído, mas o ruído não faz bem. A frase foi citada pelo senhor Cónego Fernando Afonso na cerimónia evocativa dos 25 anos do Centro Social e Paroquial de Santo André a que tive a honra de assistir. Eu peço desculpa pelo “ruído” que eventualmente este escrito possa provocar mas entendo que é absolutamente justo destacar esses vinte e cinco de dádiva aos outros, sublinhando o profissionalismo dos que ali trabalham, o voluntarismo dos que colaboram e a simplicidade e a humildade do seu presidente. Bem Hajam.
5. Por conhecer a obra do Recolhimento Nossa Senhora dos Mártires e o papel do Presidente da Direcção senhor Fernando Cavaco, na prossecução do bem estar dos utentes daquele lar, não posso ficar indiferente ao que li na comunicação social sobre um alegado problema de funcionamento interno. No âmbito das minhas funções institucionais conheço aquela instituição de forma profunda, conhecimento que, julgo me dá o direito de afirmar publicamente o respeito e admiração por todos os que ali trabalham. Para os profissionais do Recolhimento vai uma palavra de estímulo para que continuem o vosso trabalho com empenho, com a dedicação e com a seriedade que sempre caracterizou a vossa instituição.
in Jornal ECOS, Estremoz - 17.06.2009